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REVISTA FORMAS & MEIOS
Desde: 03/02/2005      Publicadas: 754      Atualização: 31/10/2005

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ARACI DE ALMEIDA

ARACI DE ALMEIDA

Por Francisco Martins / Dino Nery

Araci Teles de Almeida nasceu em 19 de agosto de 1914, no Rio de Janeiro. Cantora, nasceu e foi criada no subúrbio carioca de Encantado; o pai, Baltasar Teles de Almeida, era chefe de trens da Central do Brasil. Estudou num colégio em Engenho de Dentro, onde foi colega do radialista Alziro Zarur, e passou depois para o Colégio Nacional, no Meyer. Costumava cantar hinos religiosos na Igreja Batista e, quando conheceu Custódio Mesquita, por intermédio de um amigo, cantou para ele Bom dia, meu amor (Joubert de Carvalho e Olegário Mariano), conseguindo que aquele compositor a levasse para cantar na Rádio Educadora, em 1933.
Já no ano seguinte, gravou para o Carnaval seu primeiro disco, pela Columbia, com a música Em plena folia (Julieta de Oliveira), e, em 1935, assinou seu primeiro contrato com a Rádio Cruzeiro do Sul. Nesse ano, gravou pela Columbia, Riso de criança, de Noel Rosa, de quem se tornaria uma das principais intérpretes. Depois se tranferiu para a Victor, participou de coros e de diversas gravações e, em 1935, como solista, gravou Triste Cuíca - Noel Rosa e Hervé Cordovil. "Cansei de pedir, Amor de parceria (ambas de Noel Rosa), e Tenho uma rival (Valfrido Silva), disse Araci. A partir de então, tornou-se conhecida como intérprete de sambas, músicas carnavalescas e, principalmente, de Noel Rosa, tendo sido apelidada por César Ladeira de O Samba em Pessoa.

Foi casada com um famoso goleiro de futebol (Rei), de quem se separou. Trabalhou também na Rádio Philips (fazendo dupla com Sílvio Caldas, no Programa Casé), na Cajuti, Mayrink Veiga e Ipanema, excursionando com Carmen Miranda ao Rio Grande do Sul. Em 1936, foi para a Rádio Tupi, do Rio de Janeiro, e gravou com sucesso duas músicas de Noel Rosa: Palpite Infeliz e O X do problema. No ano seguinte, atuou na Rádio Nacional e destacou-se com os sambas Tenha pena de mim (Ciro de Sousa e Babaú), Eu sei sofrer (Noel Rosa e Vadico) e Último Desejo, de Noel Rosa, que faleceu nesse ano. Gravou, em 1938, Século do progresso (Noel Rosa) e Feitiço da Vila (Noel Rosa e Vadico), e, em 1939, lançou em disco Chorei quando o dia clareou - Davi Nasser e Nelson Teixeira e Camisa Amarela ,Ary Barroso.


CANTORES ANTIGOS - ADONIRAN: UM POETA MACARRÔNICO


João Rubinato, que adotou o pseudônimo de Adoniran Barbosa em 1935, em homenagem aos amigos Adoniran Alves e Luís Barbosa, nasceu em Valinhos, estado de São Paulo, no dia 6 de agosto de 1910. Foi o sétimo filho de um casal de imigrantes italianos, vindos de Veneza. Ainda menino, mudou-se com a família para Jundiaí, Estado de São Paulo, onde estudou, um tanto quanto forçado, até o terceiro ano primário. Foi ainda no tempo de escola que Adoniran começou a trabalhar, ajudando o pai no carregamento de vagões da Estrada de Ferro São Paulo Railway
Em Jundiaí, trabalhou também como entregador de marmitas e como varredor numa fábrica de tecidos. Em 1924, por causa da Revolução, a família mudou-se para Santo André, na Grande São Paulo, onde, durante anos, Adoniran continuou sendo o faz-de-tudo: foi tecelão, pintor, encanador, serralheiro e garçom, na casa do então Ministro da Guerra, Pandiá Calógeras. Depois, fez o curso de metalúrgico ajustador, no Liceu de Artes e Ofícios de São Paulo, mas não se deu bem com a nova profissão: o esmerilhamento do ferro prejudicava-lhe os pulmões. Então, Adoniran procurou outros empregos, entre eles o de mascate, vendendo meias. Como andava muito, Adoniran ia cantando, para encurtar as distâncias. Foi assim que se acostumou a compor andando, mas, para ele, os sambas que compunha eram apenas passatempo e não tinham qual idade nenhuma. Além de compor e cantar, Adoniran vivia batucando na caixa de fósforos. São dessa época seus sambas "Minha vida se consome", feito em parceria com Pedrinho Romano e Viriato dos Santos, e "Socorro", em parceria com Pedrinho Romano. Adoniran ainda trabalhou em loja de ferragens, em agência de automóveis e em loja de tecidos, como entregador de mercadorias. Nesse emprego, Adoniran passava obrigatoriamente pela Rádio Cruzeiro do Sul. Ali ficou conhecendo alguns artistas.

Todo sábado Adoniran participava do programa de calouros dessa Rádio e, depois de muito tentar, finalmente foi aprovado no programa de Jorge Amaral, em 1933, cantando 'Filosofia', de Noel Rosa. Sua voz pequena e rouca não era muito bem aceita numa época em que se destacavam Mário Reis e Francisco Alves. Mesmo assim, Adoniran passou a cantar num programa semanal de 15 minutos, acompanhado por conjunto regional. Cantava sambas de outros compositores mas, sendo uma espécie de 'disc jockey', sempre que possível deixava escapar um sambinha seu. Mesmo assim, continuava fazendo de tudo um pouco. Em 1935, Adoniran ganhou o concurso carnavalesco da prefeitura de São Paulo, com a marchinha "Dona Boa", composta em parceria com Jota Aimberê. O dinheiro do prêmio, que era para comprar um paletó, foi gasto na comemoração com os amigos. "Dona Boa" foi a primeira composição de Adoniran a ser gravada, na Columbia, por Raul Torres. Nesse ano, compôs ainda, com Totó, o samba "É cedo"; com Pedrinho Romano, o samba "Teu orgulho acabou" e com J. Moura Vasconcelos, a marcha "Teu sorriso".

ANIMADOR DE PROGRAMAS

Adoniran trabalhou na Rádio Cruzeiro do Sul como cantor e animador de programas de discos, de 1935 a 1940, enquanto compunha. Em 1936, compôs "Agora podes chorar"; "Prá esquecer" e "Se meu balão não se queimar" com Nicolini; "Um amor que já passou", com Frazão; "Chega", com José Marcílio; e "Malandro triste", com Mario Silva. De 1937, são as composições "Adeus, escola...", em parceria com Ari Machado e Nilo Silva, "A Canoa Virou" e "Você é a melhor do mundo", com Raimundo Chaves e "Não me deu satisfações" e "Você tem um jeitinho", com Nicolini. Em 1938, aparece a composição "Mamão", feita em parceria com Paulo Noronha e Raimundo Chaves. No ano de 1941, levado por Otávio Gabus Mendes, Adoniran foi para a Rádio Record, onde fez radioteatro numa série chamada'Serões Domingueiros'. Foi aí que conheceu Osvaldo Molles, que fazia, na mesma rádio, o programa 'Casa da Sogra' e que acabou criando para Adoniran alguns personagens que ficaram famosos na época: o malandro Zé Cunversa, o judeu de prestações Moisés Rabinovic, o galã do cinema francês Jean Rubinet - inspirado no nome de batismo de Adoniran, João Rubinato, mais o motorista italiano Perna Fina, o professor de inglês Mr. Morris, o moleque Barbosinha Mal-Educado da Silva e Charutinho, que era o mais identificado com a figura de Adoniran Barbosa.
A linguagem desses personagens populares acabou influenciando as composições de Adoniran. Conheceu, então, o conjunto Demônios da Garoa e começaram a trabalhar juntos: formaram uma bandinha para animar as torcidas, nos jogos de futebol promovidos pelos artistas de rádio do interior paulista.

Em 1945, Adoniran compôs "Grande Bahia", em parceria com Avaré, e participou do filme nacional "Pif-paf", dirigido por Ademar Gonzaga. Em 1946 participou, também sob a direção de Ademar Gonzaga, do filme "Caídos do céu", e compôs, com Armando Rosas, a marcha "Salve, oh! Gilda!" e com Ivo de Freitas, o cateretê "Tô com a cara torta". Bem-sucedido, Adoniran compôs, em 1947, o samba dor-de-cotovelo "Asa Negra", gravado por Hélio Sindô.
Em 1949, com Césio Negreiros, compôs "Marcha do Camelô". A partir de 1950 os Demônios da Garoa tornaram-se os mais constantes intérpretes de Adoniran Barbosa e seu samba "Malvina <../Letras_19/malvina.htm>", interpretado por eles, ganhou o concurso carnavalesco de São Paulo em 1951.Ainda em 1951, Adoniran compôs, com Orlando de Barros, o samba-canção "No silêncio da noite"; com Hervê Cordovil, a marcha-rancho "Pode ir em paz"; e com Rômulo Pais e Delé, o baião "Tá moiado".

O PRIMEIRO FILME

Em 1952, Adoniran participou do filme "O Cangaceiro", dirigido por Lima Barreto e rodado em Vargem Grande, que acabou recebendo prêmio em Cannes. No mesmo ano compôs, com Osvaldo França e Antonio Lopes, a marcha "Água de Pote"; com Henrique de Almeida e Rômulo Pais, a batucada "A louca chegou"; com Manezinho Araújo, o baião "Tiritica"; e com Osvaldo França, os sambas "O que foi que eu fiz?" e "Joga a chave".
Em 1953, em parceria com Osvaldo Molles e João B. dos Santos, Adoniran compôs o samba "Conselho de Mulher" e, em parceria com Blota Júnior, compôs "Gol do Amor" . Em 1954, compôs "Abriu a Janela", junto com Frederico Rossini. Em maio de 1955, os Demônios da Garoa gravaram, com grande sucesso, o samba de Adoniran "Saudosa Maloca, que havia sido composto em 1951 e gravado pelo próprio Adoniran, sem, no entanto, ter alcançado alguma repercussão. Há pouco tempo, "Saudosa Maloca" teve, também, uma gravação na voz de João Bosco. Inspirado em "Saudosa Maloca", Osvaldo Molles criou, na Rádio Record, o programa "História das Malocas", onde Adoniran figurava como Charutinho. Sucesso absoluto, "História das Malocas" ficou no ar durante dez anos, de 1955 a 1965, chegando até a ser levado para a televisão. Ainda em 1955, Adoniran compôs "As Mariposas <../Letras_04/asmariposas.htm>" e, em parceria com Rômulo Pais e Jota Sandoval, compôs "Camisolão"; com Jota Nunes e Antonio Rago, "Chorei, chorei!"; com Chuvisco e Jota Nunes, "Deixa de beber"; e com Antonio Rago, "Dormiu no chão". No mesmo ano, foi gravado, pelos Demônios da Garoa, seu samba feito em parceria com Alocin, em 1951, gravado pelo próprio Adoniran, sem sucesso, naquele ano, e regravado há pouco tempo por Rita Lee, o conhecidíssimo "Samba do Arnesto " Já no ano de 1956 Adoniran presenteou seus fãs com as composições "Apaga o Fogo Mané" e "Um samba no Bixiga" e ainda algumas parcerias, como "Arranjei outro lugá", "Por onde andará Maria?" e "Vem, morena", com Antonio Rago; "Decididamente", com Benedito Lobo e Marcolino Leite; "Garrafa cheia", com Benedito Lobo e Antonio Rago; "O legume que ele quer", com Manezinho Araujo e "Quem bate sou eu!", com Artur Bernardo. Também é de 1956 o samba "Iracema", gravado pelos Demônios da Garoa no mesmo ano e regravado, em 1974, por Adoniran Barbosa e em 1980 por Adoniran Barbosa junto com Clara Nunes, com acompanhamento de Dino, em seu violão de sete cordas. "lracema" foi gravado também, entre outros intérpretes, por Beth Carvalho e por Jards Macalé.O ano de 1957 traz as composições de Adoniran "Terreque, Terreque", feita em parceria com Avaré e Antonio Rago, e a belíssima "Bom dia Tristeza ", feita em parceria com Vinícius de Moraes, embora Adoniran e Vinícius nunca tenham se encontrado pessoalmente. "Bom-dia tristeza" foi gravada em 1957, por Aracy de Almeida, e em 1958 e 1963 por Maysa. Em 1958, Adoniran compôs, em parceria com Antonio Rago e Geraldo Blota, "Dotô Vardemá"; em parceria com Osvaldo Molles, "Pafunça"; com Hilda Hilst, Adoniran compôs "Quando te achei" e com José Mendes e Arrelia, compôs "Quero casar".

CANTORES ANTIGOS - VADICO


Osvaldo de Almeida Gogliano, compositor, regente e instrumentista, nasceu em São Paulo / SP, em 24 de junho de 1910 e faleceu no Rio de Janeiro / RJ, em 11junho de 1962. Filho de imigrantes italianos do bairro do Brás, todos seus irmãos eram músicos: Carlos tocava flauta e sax, Rute formou-se em piano e harmonia e Dirceu fez o Conservatório Dramático e Musical de São Paulo. Começou a interessar-se por música aos 16 anos e aos 18 deixou a profissão de datilógrafo, para tocar piano em público pela primeira vez, apresentando-se num hotel em Poços de Caldas MG. No mesmo ano venceu um concurso de música popular recebendo medalha de ouro com sua primeira composição, a marcha Isso mesmo é que eu quero. Em 1929, seu samba Deixei de ser otário foi incluído no filme Acabaram-se os otários (dirigido por Luís de Barros); essa foi sua primeira composição gravada, na Odeon, por Genésio Arruda. Por essa época, já fazia trabalhos de orquestração e enviou um samba para o Rio de Janeiro, Arranjei outra (com Dan Mallio Carneiro), que foi gravado por Francisco Alves em 1930. Isso o encorajou a dedicar-se somente à música, aperfeiçoando seus estudos de piano.
Em 1931 foi para o Rio de Janeiro, onde, por inter médio de Eduardo Souto, teve seu samba Silêncio gravado por Luís Barbosa e Vitório Lattari. Dois anos depois, o mesmo Eduardo Souto o apresentou a Noel Rosa no estúdio da Odeon. Ouvindo uma de suas composições, Noel aceitou a sugestão de Souto para fazer a letra, e dois dias mais tarde estava pronto o Feitio de Oração, o primeiro dos seus sambas que teve Noel como letrista e que foi gravado em 1933, na Odeon, por Francisco Alves e Castro Barbosa.
Seguiram-no Feitiço da Vila, Provei, Quantos beijos e Só pode ser você. Musicou depois os versos de Noel Rosa: Conversa de botequim, Cem mil-réis, Tarzã, o filho do alfaiate, Pra que mentir e a Marcha do dragão (publicitária).
Por essa época, também atuou como pianista em diversas escolas de dança, e em 1934 foi contratado por Luís Americano para tocar na boate Lido, substituindo-o, posteriormente, na direção da orquestra. Quatro anos depois tocou durante alguns meses no Cassino Tênis Clube de Petrópolis RJ.

VADICO E O CINEMA

Em 1939 foi com a Orquestra Romeu Silva para os E.U.A., para atuar no pavilhão brasileiro da Feira Mundial de New York, estreando em junho. Permaneceu naquele país até novembro, tendo gravado transmissões para o Brasil na National Broadcasting Corporation. Retornou ao Brasil! com Romeu Silva, passando a apresentar-se com a orquestra deste na Feira de Amostras do Rio de Janeiro. Voltou a New York em abril de 1940, para a reabertura da Feira Mundial. Com o encerramento da mostra em outubro daquele ano, foi para Hollywood, onde se encontrou com Zé Carioca e passou a trabalhar na gravação das músicas do filme Uma noite no Rio (That Nightin Rio, de Irving Cummings), com Carmen Miranda. No ano seguinte, a pedido da Universal Pictures, compôs para um filme o samba loiô, que teve letra de Nestor Amaral. Continuou como pianista de Carmen Miranda e do Bando da Lua, fazendo também várias orquestrações para filmes em que estes atuavam, como Weekend in Havana - Aconteceu em Havana, direção de Walter Lang, 1941-, e Springtime in the Rockie - Minha secretária brasileira, direção de Irving Cummings, [ 1942), além de outros.
Em 1943 fez shows em teatros e night clubs, sendo convidado no mesmo ano por Walt Disney, que o pediu emprestado à Twentieth Century Fox por cinco dias, para musicar o desenho de longa metragem Saludos, amigos, em que o personagem Zé Carioca aparece como símbolo do Brasil.

CANTORES ANTIGOS - Compositor David Nasser


CANTORES ANTIGOS - CARTOLA


Agenor de Oliveira, o Cartola, nasceu no dia 11 de outubro de 1908, no Rio de Janeiro - mais precisamente no bairro do Catete. Por erro de um escrivão, seu prenome foi grafado Angenor. Era o quarto filho - de um total de sete - do casal Sebastião Joaquim de Oliveira e Aída Gomes de Oliveira. Aos 8 anos de idade, já desfilava em blocos carnavalescos de rua. Aos 11, por problemas financeiros, foi morar com a família no morro de Mangueira. Começou a trabalhar muito cedo. Foi tipógrafo e pedreiro. Aliás, foi na época em que trabalhava em obras que surgiu seu apelido - por causa do chapeu coco que usava durante o serviço para evitar que seu cabelo ficasse sujo de cimento. Aos 11 anos Dona Aída morreu prematuramente. Seu Sebastião era muito severo e chegou a expulsar Cartola de casa aos 17 anos de idade. Sozinho, o jovem Angenor envolveu-se com várias mulheres, adoeceu e deixou de trabalhar. Recuperado, juntou-se a mais seis amigos para criar a primeira escola de samba do subúrbio carioca - a Estação Primeira de Mangueira. Em 28 de abril de 1928, reunidos na casa do Euclides da Joana Velha, na favela da Mangueira, sete homens fundaram a Escola de Samba Estação Primeira de Mangueira: seu Euclides, Saturnino Gonçalves (o Satur), Marcelino José Claudino (o Massu), Pedro Caim (o Pedro Paquetá), Abelardo da Bolinha, Cartola e Zé Espinguela. Cartola tornou-se diretor de harmonia da Escola. Passou a se dedicar à composição e aos poucos foi construindo um enorme repertório. Porém tudo mudou quando Ma'rio Reis apareceu lá no morro querendo comprar um samba. Cartola se ofendeu e disse " você está maluco, eu não vendo coisa nenhuma". Mas até que enfim, convencido, ele vendeu por 500 mil. Afinal isso em 1932 era muito dinheiro. O samba "Que Infeliz Sorte " foi gravado por Chico Alves

DÉCADA DE 40

Nos anos 40, sua vida entraria numa fase negativa. Ficou viúvo, contraiu meningite e trocou o morro da Mangueira pela Baixada Fluminense. Curado, voltou a viver no morro e começou a namorar dona Euzébia Silva do Nascimento, a famosa dona Zica - irmã da mulher do compadre Carlos Cachaça. Dona Zica nasceu em 1913. Conheceu Cartola ainda na infância, nos desfiles dos blocos carnavalescos de rua. Cartola pertencia aos Arrepiados, enquanto dona Zica era do Bloco do Seu Júlio. Foram se reencontrar depois de muitos anos, em 1952. Casaram-se depois de 12 anos juntos, em 1964. Passaram por dificuldades financeiras, abriram com mais dois sócios um restaurante chamado Zicartola (cartaz promocional no destaque) e desfrutaram juntos momentos inesquecíveis. Dona Zica foi fundamental na vida e na carreira de Cartola. Na época em que moravam juntos, Cartola compôs "As Rosas Não Falam", "Nós Dois" (feita dias antes do casamento de Cartola e Dona Zica) e "O sol Nascerá" (parceria com Elton Medeiros que se tornou um grande sucesso na voz de Nara Leão).

MANGUEIRA / PRIMEIRO DISCO

A outra paixão: o Grêmio Recreativo Escola de Samba Estação Primeira de Mangueira. O mestre de Mangueira, durante os dez primeiros anos, foi o compositor oficial dos sambas enredo da escola. É de sua autoria o primeiro samba escolhido para a escola desfilar, "Chega de Demanda". Alguns deles tornaram-se imortais, como "Vale do São Francisco" e "Tempos Idos". Cartola, no entanto, nem sempre se relacionou bem com a Mangueira. Durante os anos de 1949 e 1977, ele sequer desfilou. Os motivos eram sempre os mesmos: divergências com os diretores da Escola, que em várias ocasiões teriam transformado a escola num reduto eleitoreiro.
Cartola só conseguiu realizar seu sonho de gravar um disco em 1974, aos 65 anos de idade. Sua vida conturbada e a falta de oportunidades fizeram com que sua obra só fosse conhecida oficialmente num disco lançado pelo produtor Marcus Pereira. Apesar de ter sido famoso nos anos trinta, reconhecido nos anos setenta e muito querido por todos (em destaque com o maestro Radamés Gnattali), Cartola nunca recebeu consideração à altura de sua obra. Nas duas últimas décadas, muitas foram as homenagens póstumas prestadas a ele por artistas como Beth Carvalho, Alcione, Paulinho da Viola, Chico Buarque, Leny Andrade, Cazuza e Marisa Monte. Exemplos disso são o LP "Bate Outra Vez" de 1988, o CD de Leny Andrade, lançado em 1994, e a homenagem prestada por Chico Buarque num CD gravado em 1997 (Chico Buarque de Mangueira) feito em companhia dos integrantes da Estação Primeira de Mangueira.

CANTORES ANTIGOS - A 4 de maio de 1937 morria Noel Rosa "


CANTORES ANTIGOS - NOEL ROSA - História


DR NOEL

Em 1929, terminado o ginásio, preparou-se para entrar na Faculdade de Medicina, sem deixar de lado o violão e as serenatas. Em Vila Isabel, estudantes do Colégio Batista e moradores do bairro haviam formado um conjunto musical, o Flor do Tempo, que se apresentava em festas de família. Convidados a gravar em 1929, o grupo foi reformulado, com o novo nome de Bando de Tangarás, conservando João de Barro, Almirante, Alvinho e Henrique Brito, componentes da primitiva formação, e incluindo-o, pois, embora jovem, era conhecido no bairro como bom violonista. Participou assim das primeiras gravações do Bando de Tangarás, o samba Mulher exigente, seguido de uma embolada e um cateretê (todos de Almirante). No mesmo ano escreveu suas primeiras composições, a embolada Minha viola e a toada Festa no céu, que gravou em 1930 nas duas faces de um 78 rpm da Parlophon. Compôs ainda, em 1931, duas canções sertanejas, Mardade de cabocla e Sinhá Ritinha (com Moacir Pinto Ferreira); decidiu-se depois, definitivamente, pelo samba. Freqüentando o Ponto de Cem Réis, bar de Vila Isabel, entrou em contato com sambistas dos morros cariocas. Entre eles conheceu Canuto, do morro do Salgueiro, seu parceiro em algumas composições, como o samba Esquecer e perdoar, de 1931, e intérprete das primeiras gravações deste e de Eu agora fiquei mal (com Antenor Gargalhada); este último parceiro era o principal dirigente da Escola de Samba Azul e Branco, do Salgueiro. Dividindo-se entre a música e a medicina, Noel freqüentava a faculdade, que abandonou em 1932, restando dessa experiência de estudante o "samba anatômico" Coração, gravado no ano seguinte.

Em 1930 surgiu seu primeiro sucesso, o samba Com que roupa?, apresentado pelo autor em espetáculos do Cinema Eldorado, e que já trazia na letra a observação crítica e humorística da vida carioca que marcaria toda a sua obra. No ano seguinte, essa música entrou em diversas revistas, entre as quais Deixa esta mulher chorar (dos irmãos Quintiliano), Com que roupa? (de Luís Peixoto) e Mar de rosas (de Velho Sobrinho e Gastão Penalva). Ainda em 1931, lançou diversos sambas, entre os quais Mulata fuzarqueira, Cordiais saudações e Nunca... jamais e conheceu Marília Batista, que se tornaria sua intérprete favorita. Por essa época várias composições suas foram aproveita das em revistas musicais: por exemplo, em Café com música, de Eratóstenes Frazão, apareceram os sambas Eu vou pra Vila, Gago apaixonado, Malandro medroso e Quem dá mais? (ou Leilão do Brasil), e a marcha Dona Araci; em Mar de rosas, de Gastão Penalva e Velho Sobrinho, os sambas Cordiais saudações, Mulata fuzarqueira e Mão no remo (com Ari Barroso).
Ainda como componente do Bando de Tangarás, estreou na Rádio Educadora; depois de passar pela Mayrink Veiga, nesse ano de 1931 atuou na Rádio Philips, em que trabalhou como contra-regra do Programa Casé, apresentando-se também como cantor, ao lado de Almirante, Patrício Teixeira, Marília Batista e João de Barro. Formando com Lamartine Babo e Mário Reis o conjunto Ases do Samba, apresentou- se em São Paulo SP; o sucesso obtido animou-o a excursionar ao Sul do país, com Mário Reis. Em Porto Alegre RS exibiram-se no Cine Teatro Imperial com Francisco Alves, o pianista Nonô e o bandolinista Peri Cunha. Voltaram ao Rio de Janeiro em junho de 1932, depois de apresentações em cidades gaúchas, Florianópolis SC e Curitiba PR.

CHICO ALVES

Convidado por Francisco Alves, passou a integrar, juntamente com Ismael Silva, um trio que participou de diversas gravações na Odeon, usando os nomes de Turma da Vila, Gente Boa e Bambas do Estácio. Formaram também uma tripla parceria, na qual, segundo consta, Francisco Alves teria entrado sobretudo com seu prestígio de cantor, embora seu nome apareça como co-autor, sendo as primeiras, surgidas em 1932, os sambas Adeus e Uma jura que eu fiz, e a marchinha Assim, sim!. Somente com Ismael Silva, lançou 11 composições, entre as quais os sambas Para me livrar do mal (1932), Ando cismado (1933) e Quem não quer, sou eu (1933), gravando com ele diversas dessas composições na Odeon. O ano de 1932 marcou ainda o início de outra parceria responsável por sucessos antológicos, iniciada quando conheceu na Odeon o compositor paulista Vadico. Juntos fizeram Feitio de oração (1933), Feitiço da Vila (1934), Conversa de botequim (1935) e muitas outras, em que apareceu como letrista. O ano de 1933 é dos mais fecundos da vida do compositor, registrando mais de 30 músicas gravadas. Além dos sucessos carnavalescos Até amanhã, Fita amarela e Vai haver barulho no chatô (com Valfrido Silva), outras produções importantes desse ano foram os sambas Onde está a honestidade?, O orvalho vem caindo (com Kid Pepe), Três apitos e Positivismo (com Orestes Barbosa). No mesmo ano teve início a polêmica com Wilson Batista, em torno da qual seriam produzidos diversos sambas famosos: Lenço no pescoço (Wilson Batista) fazia a apologia do sambista malandro, imagem que contestou com Rapaz folgado; Wilson Batista retrucou com Mocinho da Vila, encerrando a primeira fase da polêmica, que continuou depois de algum tempo com novos sambas de parte a parte.

Em 1934 excursionou com Benedito Lacerda, Russo do Pandeiro, Canhoto e outros componentes do grupo Gente do Morro. De volta ao Rio de Janeiro, em junho de 1934 conheceu num cabaré da Lapa a dançarina Ceci (Juraci Correia de Araújo), de 16 anos, a grande paixão de sua vida e a inspiradora de muitos sambas: Pra que mentir (com Vadico), O maior castigo que eu te dou, Só pode ser você (com Vadico), Quantos beijos (com Vadico), Quem ri melhor..., Cem mil-réis (com Vadico) e Dama do cabaré e Último desejo. Ainda em 1934 a marcha Linda pequena (com João de Barro) foi gravada por João Petra de Barros; a música, com a letra ligeiramente alterada por João de Barro, foi gravada depois por Sílvio Caldas com o nome de Pastorinhas, vencendo o concurso carnavalesco de 1938, promovido pela prefeitura do então Distrito Federal. Apesar da notória paixão por Ceci, casou com Lindaura, em 1934. Essa união não alterou em nada sua vida boêmia e as noitadas na Lapa, que acabaram por comprometer sua saúde. Em janeiro de 1935, com lesão nos dois pulmões, foi obrigado a se retirar do Rio de Janeiro para tratamento, indo para Belo Horizonte MG, onde continuou a boêmia, freqüentando bares e o meio artístico da cidade, e apresentou-se na Rádio Mineira. Com a morte do pai no mesmo ano, voltou para o Rio de Janeiro.
Ainda em 1935, Araci de Almeida gravou seu samba Riso de criança, dando início a uma série de gravações que a tornaram uma de suas principais intérpretes. Ingressou então na Rádio Clube do Brasil, onde elaborou o programa humorístico Clube da Esquina, para o qual escreveu revistas radiofônicas que alcançaram sucesso: O barbeiro de Niterói, paródia da ópera II Barbieri di Siviglia, de Gioacchino Rossini (1792-1868), e Ladrão de galinha, em que utilizou músicas populares da época, além de A noiva do condutor, terminada em 1936 pelo maestro Arnold Glückmann, autor dos arranjos. Foi convidado pela produtora Carmen Santos para escrever músicas para o filme Cidade-mulher, dirigido por Humberto Mauro; e compôs então a marcha Cidade-mulher, a valsa Numa noite a beira-mar e os sambas Dama do cabaré, Maria Fumaça, Morena sereia (com José Maria de Abreu) e Tarzã, o filho do alfaiate (com Vadico).

WILSON BATISTA

Prosseguia a polêmica com Wilson Batista, que lançou Conversa fiada, respondendo ao seu Feitiço da Vila (com Vadico), de 1934; contra-atacou com Palpite infeliz(1935), mas não respondeu a dois outros sambas, Frankenstein da Vila e Terra de cego. Da produção de 1935 destacam-se ainda os sambas João Ninguém, Cansei de implorar (com Arnold Glückmann), Conversa de botequim (com Vadico) e a marcha Pierrô apaixonado (com Heitor dos Prazeres). Em 1936 produziu uma única composição, o samba Você vai se quiser, que gravou em dupla com Marília Batista, e que foi um de seus grandes êxitos naquele ano, ao lado de O x do problema, gravado por Araci de Almeida e incluído na revista Rio follie (Jardel Jércolis, Geysa Boscoli e J. Otaviano) e De babado (com João Mina), gravado por Marília Batista. Ainda em 1936, Não resta a menor dúvida (com Hervé Cordovil) e Pierrô apaixonado foram incluídas na trilha sonora do filme Alô, alô, Carnaval, de Ademar Gonzaga.
Em fevereiro de 1937, viajou para Nova Friburgo RJ. Apesar da doença, apresentou-se no cinema local e freqüentava os bares da cidade. De volta ao Rio de Janeiro em março, compôs Último desejo - gravado por Araci de Almeida -, e logo em seguida o samba Eu sei sofrer, sua última composição, gravada por Araci de Almeida e Benedito Lacerda exatamente no dia de sua morte, a 4 de maio 1937, morreu em Vila Isabel, aos 26 anos, deixando 230 composiçõe [ fora as que vendeu ].
[ Francisco Martins ]

CANTORES ANTIGOS - GONZAGUINHA - PERFIL


Luís Gonzaga do Nascimento Júnior, aos 14 anos, fez sua primeira música, " Lembranças de primavera ", e mais tarde compôs "Festa e " From U.S. of Piauí ", todas gravadas por seu pai em 1967. Também em 1967 ingressou na Faculdade de Ciências Políticas Cândido Mendes, no Rio de Janeiro, onde se formou em economia. Em 1968 concorreu com Pobreza, por pobreza no I Festival Universitário de Música Popular, do Rio de Janeiro, classificada entre as finalistas. No ano seguinte, venceu esse mesmo festival com O trem, que ele mesmo cantou. Ainda em 1969, participou do Movimento Artístico Universitário, ao lado de Ivan Lins, César Costa Filho, Aldir Blanc e outros.

Em 1970 participou do V FIC, da TV Globo, RJ, com Um abraço terno em você, viu mãe? e Mundo novo, vida nova, a primeira lançada em compacto Odeon, nesse mesmo ano, junto com Amor é meu país, composição e gravação de Ivan Lins. Em 1973 lançou, pela Odeon, seu primeiro LP, Luís Gonzaga Jr., que incluía a composição Comportamento geral. Em 1974, lançou pela Odeon, o segundo LP, que, entre outras, incluía Galope - que mais tarde faria sucesso com o MPB-4, Maria Bethânia e Marlene -, " e Meu coração é um pandeiro ". Nos meses de março e abril de 1975, viajou em excursão por todo o Nordeste, ao lado de Paulinho da Viola, e a cantora Amelinha. No mesmo ano lançou o LP Plano de vôo, [ Odeon ] que incluiu "Mundo novo , vida nova", que já havia sido lançada em compacto por Claudete Soares em 1969, e Geraldinos e Arquibaldos, o maior sucesso do álbum. Entre suas composições dessa época, destacam-se ainda Pois é, seu Zé, o bolero Minha amada doidivana e Desesperadamente.
Em 1976, o LP Começaria tudo outra vez, além da faixa-título, um de seus maiores sucessos, trazia Asa branca, e a canção de amor "Espere por mim , morena ". Este LP marcaria um momento decisivo em sua carreira, com os primeiros grandes êxitos populares. foi a partir desse disco, que cada vez mais fora gravado por

Outros intérpretes

No ano 1977, com o LP Moleque Gonzaguinha, que tinha como destaque a faixa " Dias de Santos e Silvas". No mesmo ano fizeram sucesso A felicidade bate a sua porta, na gravação das Frenéticas, e " Explode coração ". Lançou pela Odeon o LP Recado, que inclui "Petúnia Resedá ", sucesso na voz de Simone. Em 1979 estava entre os compositores que ganhavam mais dinheiro com direitos autorais. Fez sucesso com seu show e sétimo LP, Gonzaguinha da vida (EMI), que incluiu o sucesso Com a perna no mundo, além da participação de Nana Caymmi na canção Por um segundo. Em 1980 lançou o disco Gonzaguinha - De volta ao começo (EMI), com destaques para Ponto de interrogação, Grito de alerta, Sangrando e Bié, bié, Brasil. Passou a morar em Belo Horizonte MG, onde colaborou com a Rádio Inconfidência, promovendo a MPB na programação. Tornou-se um dos compositores mais requisitados da década de 1980.

CANTORES ANTIGOS - HERIVELTO MARTINS


Agente ferroviário apaixonado pelo teatro, Felix Bueno Martins empenhava a maior parte de seu ganho, para manter as atividades ligadas às artes, e a paixão contaminou, desde cedo, seu filho Herivelto, irmão de Hedelacy, Hedenir e Holdira, os quatro filhos que tivera com a mulher, Carlota de Oliveira. Aos cinco anos, Herivelto morava com a família, em Barra do Piraí, onde o pai fundou a Sociedade Dramática Dançante Carnavalesca Florescente de Barra do Piraí, misto de clube e teatro. E lá se ia quase todo o dinheiro do salário, obrigando D. Carlota a costurar para fora e a fazer doces. Não ficou nisso, o Seu Félix organizou as Pastorinhas de Barra do Piraí, com as quais Herivelto saía no Natal, de Papai Noel. Tais gastos o levaram a hipotecar a casa, que acabou perdida, forçando-os a se mudarem para a periferia da cidade. Ali, Herivelto começa a aprender violão e cavaquinho e compõe seu primeiro samba, Nunca Mais. Em 1930, Seu Felix foi transferido para São Paulo, e Herivelto não se adapta e vai tentar a vida no Rio de Janeiro. Hospeda-se em um quartinho com o irmão Hedelacy, que era barbeiro. Ali, acabaram morando oito rapazes. Segundo Herivelto, "só melhorou com a Revolução de 32: morreram quatro" disse.

Foi quando conheceu o compositor Príncipe Pretinho, que o levaria até o cantor J. B. de Carvalho. Tudo começaria aí. J. B. de Carvalho gravou seu samba "Da Cor do Meu Violão", logo Herivelto passou a fazer parte do coro do Conjunto Tupi. Tornou-se amigo de Francisco Sena e, um dia, ao fazerem um dueto, foram ouvidos por Vicente Marzullo, empresário, que se impressionou com o improviso da dupla. Na primeira oportunidade apresentou os dois para cantar nos intervalos do cinema Odeon. Marzullo inventou o : "É a dupla do preto e do branco". Herivelto compôs o samba Preto e Branco, sucesso imediato. A Odeon gravou em 1934, mas o êxito acabaria no ano seguinte com a morte de Sena. Sozinho, Herivelto Martins foi trabalhar no Cine Pátria, onde conheceu a cantora Dalva de Oliveira. Depois de cantarem juntos, namorarem, passaram a morar juntos. Encontra Nilo Chagas e forma a segunda dupla Preto e Branco. A partir daí Dalva começa a se apresentar com os dois e grava um disco com o título de Dalva de Oliveira e a Dupla Preto e Branco. César Ladeira leva-os para seu programa na Rádio Mayrink Veiga: "Com vocês o conjunto vocal Dalva de Oliveira e a dupla Preto e Branco. Um trio de ouro". Estava batizado um dos mais famosos trios vocais da MPB.

SEU PRIMEIRO FILHO

Nasce Peri, o primeiro filho, em 1937. Dois anos depois, Herivelto e Dalva casam-se e nasce Ubiratan. O êxito se transfere para o Cassino da Urca, RJ, onde o trio fica até o fechamento do jogo, em 1946. Como compositor, Herivelto marca presença com sucessos como Praça Onze, Ave Maria do Morro, Odete, Ela, Caminhemos e outras tantas. No final dos anos 50, Nilo Chagas foge na Venezuela com uma vedete e o Trio de Ouro acaba lá. Herivelto e Dalva entram em processo de separação, o que rende uma série de músicas, um combate de sucessos de parte a parte. Herivelto reorganiza o Trio de Ouro por duas vezes, com Noemi Cavalcanti e Nilo Chagas, que tinha reaparecido, e depois com Lurdinha Bittencourt e Raul Sampaio, dissolvendo-se em 1957. Daí para a frente, Herivelto prefere afastar-se da vida artística. Presidente do Sindicato dos Compositores do Rio, em 1971, trabalha com direitos autorais por muitos anos vindo a falecer em 17 de setembro de 1992. [ Francisco Martins ]

CANTORES ANTIGOS - ORLANDO SILVA


Orlando Garcia da Silva, o grande Orlando Silva, uma das mais admiradas vozes da música brasileira em todos os tempos, nasceu no no dia 03 de outubro de 1915, na rua Augusta, 35, situada no Engenho de Dentro, Zona Norte do Rio de Janeiro. O nome dessa rua, mais tarde, passaria a ser General Clarindo. O pai se chamava José e a mãe, Balbina. Era uma família feliz, embora modesta. Mas o pai morreu por ocasião do surto de gripe espanhola, por volta de 1918, e a situação se complicou para a jovem Balbina, então com apenas 21 anos e dois filhos pequenos para cuidar, sem ter pensão do marido - Orlando e Edmundo. Balbina casaria outra vez, agora com um funcionário da prefeitura do Rio.
Mas, de novo, a viuvez iria criar-lhe dificuldades por mais uma vez falta de pensão. Deste modo, Orlando e Edmundo, que por parte da mãe ganharam outros quatro irmãos, tiveram que assumir responsabilidades da manutenção do lar, enquanto Balbina lavava e passava roupa para fora. Em 1932, com 17 anos de idade e trabalhando como entregador de encomendas na Casa Raunier, Orlando sofreu sério acidente ao tentar subir num bonde em movimento, por pouco não tendo perdido o pé esquerdo. Ficou com defeito, porém, e depois da alta, calçava sapato normal no pé direito e alpercata no esquerdo. O manquejar acabaria se transformando numa das desconfortáveis características de sua personalidade até ele morrer. Mas, se ao andar Orlando claudicava, cantando ele deixava a todos admirados por sua segurança e firmeza. Em 1934, graças a uma série de encontros e felizes coincidências, de tudo isso participando o compositor Bororó e o "Rei da Voz", Chico Alves, Orlando Silva estreou em rádio. Na Cajutí, é verdade, uma emissora modesta, mas, para ajudar, ao lado do "Rei da Voz". Curioso é que, ao ser anunciado pelo locutor e criativo compositor Cristóvão de Alencar, este o apresentou como "Orlando Navarro", pretendendo prestar homenagem ao ator Ramón Navarro, na época de visita ao Rio de Janeiro. O futuro astro da música brasileira protestou na hora, indignado com a falta de cortesia do apresentador. E o embaraçoso incidente foi contornado pelo jornalista e compositor Orestes Barbosa, que, por acaso, estava ali no estúdio na hora. Orlando ganhou cinqüenta mil réis pela apresentação, na qual o acompanhante, consta, foi Hervê Cordovil, ao piano, e o programa onde Francisco Alves representava a principal atração, iria durar sete meses.

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